sábado, 10 de dezembro de 2011

Como eu sei que poucos irão entender o conteúdo deste post, peço de antemão desculpas àqueles que porventura não co e fica aqui registrada uma promessa de esclarecimento, caso alguém se interessar em tentar compreender a "viajada" que vou fazer agora.


Trata-se de uma viagem Gessingeriana pela minha Infinita Highway, em outras palavras, a compreensão dos textos gessingerianos à luz do meu humilde entendimento. Digo isto porque, a devida interpretação somente o compositor poderia fazê-lo.


Sempre gostei das letras do Gessinger, porque em sua maioria traduzem minha condição ôntica de ser-no-mundo, fazendo com que que cada letrinha de algumas letras encontrem eco na minha subjetividade (mesmo que com sentido diverso do que que ele propôs).


Algumas letras são claras críticas ao sistema capitalista , à sociedade de consumo (3ª do Plural)




Eles querem te vender, eles querem te comprar 
Querem te matar de rir, querem te fazer chorar 

Quem são eles? ]

Quem eles pensam que são? 4x 




 e à indústria midiática (O papa é Pop).


Todo mundo tá relendo o que nunca foi lido
 Todo mundo tá comprando os mais vendidos
 Qualquer nota, qualquer notícia
 Páginas em branco, fotos colorida
 Qualquer nova, qualquer notícia
 Qualquer coisa que se
 mova é um alvo
 E ninguém tá salvo

Não precisa muito para juntar 2+2 e saber que o resultado é 4.
Quando o compositor aponta que " eles querem te vender, eles  querem te comprar" está (no meu entendimento) fazendo alusões ao barões da moda, à classe dominante que  determina o que será usado, comprado, descartado, etc.. são os formadores de tendências, de opiniões que ninguém questiona.
mais adiante, na mesma letra ele fala sobre "obsolescência programada", referindo-se, creio eu aos equipamentos tecnológicos que ficam obsoletos assim que saem da loja.


Sobre a Indústria midiática em "o Papa é Pop", o compositor começa apontando " o que nunca foi lido". Eu interpreto essa passagem como aquilo que é meramente folheado, que não é absorvido pois não tem conteúdo suficiente para que seja realmente lido e entendido; é aquilo que não acrescenta nada. as "páginas em branco, fotos coloridas" é uma confirmação do que eu disse antes: páginas em branco são aquelas onde não há nada escrito, apenas imagens coloridas que tem a missão de transmitir uma mensagem com o auxílio dos recursos fotográficos, porém vazias de conteúdo.


Hora do Mergulho


feche a porta, esqueça o barulho 
feche os olhos, tome ar: é hora do mergulho

eu sou moço, seu moço, e o poço não é tão fundo 
super-homem não supera a superfície 
nós mortais viemos do fundo 
eu sou velho, meu velho, tão velho quanto o mundo

eu quero paz:
uma trégua do lilás-neon-Las Vegas
profundidade: 20.000 léguas
"se queres paz, te prepara para a guerra" 
"se não queres nada, descansa em paz" 
"luz" - pediu o poeta 
(últimas palavras, lucidez completa)
depois: silêncio

esqueça a luz... respire o fundo
eu sou um déspota esclarecido
nessa escura e profunda mediocracia 



Essa letra em especial me remete à condição de quem reflete, de quem mergulha dentro de si mesmo, em silêncio, em busca de respostas para sua condição ôntica de ser no mundo, afinal " o poço não é tão fundo", que eu entendo como "  não é tão difícil encontrar respostas dentro de si mesmo. Eu tb eu quero paz: uma trégua do lilás-neon-Las Vegas, uma trégua desse mundo agitado da vida urbana que não nos deixa espaço para sermos nós mesmos. Vivemos a todo instante com máscaras pregadas no rosto, máscaras que a sociedade nos impõe, exigem que a usemos.
o déspota esclarecido era uma figura comum no renascimento, sobretudo no leste europeu. Trata-se daqueles governantes que 








Sem abandonar o poder absoluto, procura­ram governar conforme a razão e os interesses do povo. Esta aliança de princípios filosóficos e poder monárquico deu origem ao regime de governo típico do século XVIII, o despotismo esclarecido. Seus representantes mais destacados foram Frederico II da Prússia; Catarina II da Rússia; José II da Áustria; Pombal, ministro português; e Aranda, ministro da Espanha. (fonte: 









na ponta dos cascos e fora do páreo





"
http://www.culturabrasil.org/iluminismo.htm)

mediocracia:
s.f. Predomínio social da classe média.
Sistema político ou social em que a administração e a autoridade são exercidos pela classe média.
Poder exercido pelos medíocres.

Dom quixote
Muito prazer, meu nome é otário
vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d'água, borboletas no aquário

Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro-sangue puxando carroça

Um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra
vaidades que a terra um dia há de comer

Ás de espadas fora do baralho
grandes negócios, pequeno empresário
muito prazer me chamam de otário

Por amor às causas perdidas

Tudo bem...até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
tudo bem...seja o que for
seja por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas

Tudo bem...até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
muito prazer...ao seu dispor
se for por amor às causas perdidas

Por amor às causas perdidas 
Essa música é meu hino!
" vindo de outros tempos, mas sempre no horário" é a característica de quem respeita a pontualildade, às regras de uma dada geração.
 Isso me faz refletir minha condição ôntica de voltar pra faculdade aos 40 anos de idade!

" na ponta dos cascos e fora do páreo"
nada poderia ser mais verdadeiro: minha competência acadêmica não há de reverter em oportunidade de emprego.








"Tudo bem...até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento"

a ampliação das minhas angústias, meus receios está expressa nesse trecho. Às vezes meus pensamentos me levam ao vazio existencial, à mais profunda solidão, outras vezes me levam ao psiquiatra (rsrsrs)


"tudo bem...seja o que for
seja por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas"

Aqui é onde cabem os meus sonhos: um deles é ver uma sociedade mais justa, onde haja uma distribuição melhor de renda.  Observe: eu falei SONHO!!! uma causa perdida....

Somos quem podemos ser.

m dia me disseram 
que as nuvens não eram de algodão 
Um dia me disseram 
que os ventos as vezes erram a direção 
E tudo ficou tão claro 
como um intervalo na escuridão 
Uma estrela de brilho raro 
Um disparo para o coração 


A vida imita o vídeo 
garotos inventam um novo inglês 
vivendo num país sedento 
num momento de embriaguez 


Somos que podemos ser 
Sonhos que podemos ter 


Um dia me disseram 
Quem eram os donos da situação 
Sem querer eles me deram 
As chaves que abrem essa prisão 


E tudo ficou tão claro 
o que era raro ficou comum 
Como um dia depois do outro 
Como um dia um dia comum 


A vida imita o vídeo 
garotos inventam um novo inglês 
vivendo num país sedento 
num momento de embriaguez 


Somos que podemos ser 
Sonhos que podemos ter 


Um dia me disseram 
que as nuvens não eram de algodão 
um dia me disseram 
que os ventos as vezes erram a direção 


Quem ocupa o trono tem culpa 
Quem oculta o crime também 
Quem duvida da vida tem culpa 
Quem evita a dúvida também tem 


Somos que podemos ser 
Sonhos que podemos ter 

Se alguém aqui já passou pela experiência (dolorosa) de sair da "caverna de Platão" vai entender o que eu senti quando eu precisei rever alguns conceitos bastante arraigados. Essa letra serviu-me de hino da mudança. Não sei se eu mudei meus pensamentos numa direção melhor ou pior, mas o fato é que eu mudei de forma lenta, gradual e definitiva.. e continuo mudando a cada minuto.
Quando eu percebi que " as nuvens não eram de algodão" tive que reformular muita cosa, inclusive meu conceito de identidade. Pra não ser mal interpretada, neste ponto estou falando sobre religião, mas essa conversa fica pra outra ocasião, até porque Gessinger não teve nada a ver com isso...mas o fato é que na minha mente:







E tudo ficou tão claro 
o que era raro ficou comum 
Como um dia depois do outro 
Como um dia um dia comum 

(continua no próximo post)

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