terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Inveja segundo Melanie Klein

Que a "inveja é uma m****", todo mundo sabe.


A "inveja mata" é outro jargão muito utilizado no senso comum, assim como frases escritas em carros e parachoques de caminhão do tipo:
"sua inveja é o combustível do meu sucesso", ou
"se sua estrela não brilha, não tente apagar a minha".


Mas no âmbito da psicologia, como tratar o assunto? Assunto aliás que não é tão simples assim, pois mexe com sentimentos que todos nós temos e raramente assumimos.


Já vi várias teorias sobre o tema, mas nenhuma me convenceu mais do que a Teoria de Melanie Klein (para quem quiser saber mais sobre ela, consulte o link http://www.psiquiatriageral.com.br/psicoterapia/melanie.html.


Klein aponta que a inveja é uma emoção muito arcaica que remonta ao nascimento. Ela surge no momento em que o bebê percebe-se impotente perante sua mãe (ou cuidador), no que concerne ao seu bem-estar, ou seja: quando ele precisa de cuidados ou alimento e seu cuidador não o gratifica de imediato, surge então um sentimento de inveja. A inveja daquela fonte criadora de bem-estar, daquele seio farto do qual o bebê depende.


Seguindo esta linha de raciocínio, chegamos ao X da questão, ou seja: a inveja é caracterizada por desejar algo que o outro tem e que não se pode ter.


Porém Klein vai ainda mais longe quando trata da destruição: Segundo ela a criança na posição esquizo-paranoide deseja destruir esse seio que ora lhe parece bom, ora lhe parece mau, para não ter de passar novamente por situações de frustração.


Sendo assim, a destruição do bom, do belo justifica-se pela inveja.


Claro que isto é uma simplificação. Os conceitos são mais amplos.


Observe que temos uma cadeia
frustração -> raiva -> destruição

a Frustração todos conhecemos (quem não conhece que atire a primeira pedra).
A raiva é um sentimento absurdamente natural e que somos ensinados a reprimir como se fosse um pecado.
O desejo de destruição também é natural, afinal incomoda muito perceber que o outro tem algo que não se pode ter e que muito se deseja; daí a vontade de destruir esse objeto de desejo (seja ele de que natureza for).

A inveja na sociedade contemporânea se manifesta de várias formas, algumas quase inperceptíveis. apenas alguns exemplos deste último caso. Mas não generalizemos, por favor...

Pessoas muito zelosas, que controlam excessivamente os outros, por medo de que estas sofram algum tipo de dano, podem estar sentindo inveja... inveja da coragem que o outro tem de se atirar na vida...

A inveja mais comum é aquela que é caracterizada pela negação e pela racionalização:
" eu não queria mesmo...."
" nem reparei que você tingiu o cabelo"

Claro que em muitos casos estas negações e racionalizações podem ter outros motivos mais conscientes e palpáveis, mas.....

Lidar com pessoas invejosas não é fácil, uma vez que estas querem sempre destruir algo em nós. Não dá pra tratá-las com a intimidade que se trata um irmão, mas não dá pra fazer de conta que não existem, afinal são destruidoras, agressivas e vorazes.

Uma alternativa pra lidar com isso deixar a própria inveja de lado, raiva e ressentimentos e verifique as razões pelas quais a pessoa invejosa se porta dessa maneira. De onde vem essa vontade de destruir? É pra não ver? Não ver o que? Porque?

Porém, jamais se deixe levar pelas pessoas destrutivas, mesmo que sejam "amigas".

Muita PAZ A TODOS

0 comentários:

Postar um comentário

Muito Obrigada por seu comentário!!!!

Tudo de bom pra você