quinta-feira, 1 de março de 2012

Vamos falar de amor?


Preto no branco


Amarelo, um pouco de azul


Noite estrelada


Peito feliz






Olho no olho


Pintura a quatro mãos


Tintas claras


O mesmo cigarro


Isso é amor


Amor quente






Água de coco pra dois


Porta do carro aberta


Vento morno da areia


Palavras mentirosas


Isso é amor


Amor quente






Cama de casal


Luz bem baixinha pra ver


Gemidos de dor e alegria


Sair de si por três minutos


Isso é amor


Amor quente






Supermercado, escolher iogurte


Fazer compras juntos


Brigar por besteiras


Isso é amor


Amor quente






Tomar café, banho, brisa


Champanhe, tristeza, beleza


Cremes, músicas, sucos, água


Drogas, fumo, passar perfume


Isso é amor


Amor quente


(Amor Quente - Humberto Gessinger)


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Pra variar vou começar esse post citando meu compositor favorito: Humberto Gessinger.

Escolhi a letra "Amor quente", pois ilustra bem o assunto que vem a seguir. Naturalmente vamos falar de amor, mas não de romantismo. Vamos falar das teorias psicológicas que tratam do assunto e são várias. Apenas para o assunto não se estender demais, vou tratar do tema  usando a Teoria Triangular do amor de Sternberg. (1)

De acordo com sua teoria, o amor seria uma triangulação entre: intimidade, paixão e compromisso. Cada um destes conceitos pode ser deposto da seguinte forma:

1- Intimidade
Promove a formação de vínculos, proximidade. os parâmetros para que haja essa intimidade são

  • promoção do bem estar do outro;
  • compartilhamento de experiências
  • respeito
  • estar presente nos momentos difíceis
  • compartilhar bens materiais
  • dar/receber apoio emocional
  • capacidade de comunicação além dos níveis superficiais
  • reconhecimento do valor do outro
2- Paixão
  • sensações físicas
  • elemento que conduz à movimentação
  • necessidade de estima, afiliação, dominância e submissão.
3- comprometimento
  • compromisso de amar e zelar pela manutenção desse afeto
  • certeza de que o que se sente é amor;
  • disposição para simbolizar este amor;
  • decisão de investir.
Estes três componentes podem surgir juntos ou separados numa relação, formando 07 tipos diferentes de amor:

1. Carinho
 = Intimidade ( sem paixão e compromisso

2. amor apaixonado
 = Paixão ( sem intimidade e compromisso)

3. amor vazio
= Compromisso ( sem paixão e intimidade)

4.companheirismo
= intimidade + compromisso ( sem paixão)

5. ilusório
= paixão e compromisso (sem intimidade)

6. romântico
= paixão e intimidade (sem compromisso)

7. Pleno
= initimidade + paixão + comprometimento


(Cassep-Borges & Teodoro, 2007) ___________________________________________
(1) Robert J. Sternberg (8 de dezembro de 1949), é um psicólogo e psicometrista estadunidense, deão de Artes e Ciências da Tufts University. Foi professor de psicologia na Yale University e presidente da American Psychological Association. É membro dos quadros editoriais de numerosos periódicos, incluindo American Psychologist. Sternberg graduou-se pela Yale University e possui um Ph.D. da Stanford University. Possui nove títulos de doutor honoris causa, sendo um de uma universidade sul-americana e oito de universidades européias, e adicionalmente é professor honorário da Universidade de Heidelberg na Alemanha. (fonte: Wikipédia)

(2) CASSEPP-BORGES, Vicente; TEODORO, Maycoln L. M.. Propriedades psicométricas da versão brasileira da escala triangular do amor de sternberg. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre, v. 20, n. 3, 2007 . Available from . access on 01 Mar. 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722007000300020.











domingo, 26 de fevereiro de 2012

"Há um muro de Berlim, dentro de mim"

Eu vou usar a frase do Humberto Gessinger apenas como como ponto de partida para esta reflexão.

Históricamente falando, o Muro de Berlim existiu para separar dois estados, duas formas diferentes de pensar politicamente, duas formas de governar de dois povos que tem muito em comum.

Assim são os muros que existem dentro de nós. Temos a tendência de levantar certas barreiras perante algumas situações, e usamos as circunstâncias para reforçar essas barreiras. Depois de algum tempo eis que foi construída uma verdadeira muralha dentro de nós.

Mas o que se pretende ao levantar tais barreiras?

Para Freud trata-se de um mecanismo chamado "Repressão" que de acordo com Laplanche & Pontalis tal mecanismo pode ser definido como:

Num sentido lato, operação psíquica tendente a a desaparecer da consciência um conteúdo desagradável ou inoportuno: ideia, afeto, etc. Neste sentido o recalcamento seria uma modalidade especial de repressão. (p. 594)

Não há um consenso sobre o uso diferenciado do repressão ou recalcamento, pois em determinada circunstâncias pode-se usar os dois modos. No entanto, conforme Laplanche pontua, a repressão de um afeto pode ser reconhecida como um recalcamento (recalque). Para este fim, usaremos esta colocação neste sentido. (Caso algum psicanalista queira me corrigir, eu agradeço muito, desde que o faça de forma fundamentada).

Bem, dessa forma, vamos construindo ao longo da vida diversos muros de Berlim, cuja finalidade é recalcar conteúdos afetivos que quando deveriam se tornar manifesto não conseguem, dada a existencia do muro.

É preciso demolir o muro? Sim. Mas não da mesma forma que se implode uma construção, em 5 segundos.
Se o muro existe, deve existir alguma sustentação. Não foi construído de enfeite. Ninguém reprime seus sentimentos, desejos e anseios a toa. Em muitos casos, isso tem a finalidade de proteger o ego de uma dor maior.

De muro em muro se constrói uma cidadela, onde reina a proteção. Mas como diria Gessinger:
"os muros e as grades nos protegem de quase tudo, mas o quase tudo, quase sempre é quase nada, e nada nos protege de uma vida sem sentido"(2). E assim, quando da-se conta, estamos presos nas muralhas de proteção que nós mesmos construímos.

Mas chega um momento em que bate um vazio imenso, a vida parece que tá dando voltas mo mesmo lugar e temos a impressão que somos apenas soldadinhos marchando dentro da cidadela, indo de um lado a outro da muralha, sem coragem de romper a muralha, afinal não se sabe mais o que existe do outro lado. Dentro dos muros, a vida é sempre a mesma. Lá fora pode existir a dor e o sofrimento.... mas também pode existir um mundo mais florido, mais colorido e mais dinâmico.

Quando falo sobre muralhas refiro-me às muralhas do orgulho do preconceito, do egoísmo, egocentrismo, concepções errôneas, ilusões, etc...que muitas vezes atende pelo nome de medo! (nem sempre, isto é uma aproximação)

A opção é de cada um de nós. Cada um deve refletir sobre e verificar quais são as muralhas que devem ser demolidas e qual a melhor forma de fazer isso. Infelizmente, muralhas existem que nem sempre são vistas dessa forma!!

Não existe solução pronta, mas uma reflexão sobre o comportamento repetitivo e engessado sempre é benvinda, afinal tais comportamentos podem simbolizar uma vida por trás de um muro de Berlim!





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(1) Laplanche & Pontalis. Vocabulário de Psicanalise. 9a. ed. Martins Fontes. S. Paulo, 1986
(2) Muros e Grades - HUmberto Gessinger

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Inconformismo!

Como diria Raul Seixas:

"Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês..."

Mas, nem sempre estamos contentes com o que temos. Ora queremos mudar de emprego, de faculdade, de família, ora não queremos mais. Será que isso é normal?

Sim, é normal desejar mudanças no cotidiano, mas nem sempre elas são possíveis. Não dá pra largar um emprego confiável quando se tem um monte de contas pra pagar.

Mas dá pra pensar em como promover essas mudanças. O primeiro passo é assumir que alguma coisa deve ser feita, mesma que a longo período de tempo, deixando de lado o conformismo.

Isso requer estudo, planejamento, e posteriormente ação. Sempre se deve pesar os prós e contras que as mudanças trarão. Outro ponto importante a considerar é que as mudanças impreterivelmente trarão perdas. São escolhas.

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Porém, mesmo depois de ter pensado, planejado, mudado, eis que surge um novo inconformismo! Aí você pensa: "será que eu sou normal? Eu queria tanto alcançar um objetivo e agora ele me parece tão distante do que eu sonhei"

Pois é!
acredite: isso é ótimo!!

É a partir desse tédio, ou dessa angústia que é possível perceber que algo não está bem, seja no relacionamento pessoal, no trabalho, nos estudos...


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Ouro de Tolo - Raul Seixas

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Relacionamentos virtuais

EU QUERO A SUA OPINIÃO!!!!!




Hoje eu pretendo falar sobre essa nossa relação. A relação que estabelecemos através das telas de nossos computadores.




Há muito tempo sou usuária de internet (acho que desde o tempo lendária conexão discada). São quase 15 anos de acessos diários.




Naturalmente, eu conheço a dinâmica das redes de relacionamentos e dos chats, não apenas como pessoa, mas como pesquisadora desta área.




Assim, eu gostaria de compartilhar com vocês minhas reflexões dem torno deste assunto e pedir que se possível COMENTEM, pois isso irá ajudar a dar uma diretriz para minhas pesquisas acadêmicas neste âmbito.




Eu entendo como relação aquilo que é feito a dois. Se não houver um outro não é póssível estabeler um relacionamento. Assim sendo de que forma poderíamos classificar os relacionamentos virtuais? Seriam eles tão importantes quanto os reais? Os amigos que conhecemos através das redes de relacionamento assumem importância considerável na vida dos indivíduos ou são voláteis: a afetividade some quando desliga-se o computador? Da pra sentir saudade real dos amigos virtuais ou isso seria apenas uma carência afetiva em outras áreas?




Conto com a opinião de vocês!! Beijos

sábado, 14 de janeiro de 2012

O Sagrado direito de dizer NÃO

"APRENDI A DIZER NÃO, VER A MORTE SEM CHORAR" (Jair Rodrigues)


Já notaram que quantas vezes as pessoas são levadas a aceitar o pensamento preponderante sem questionar?


Quantas vezes, as pessoas simplesmente calam aquilo que estão pensando, pelo simples hábito adquirido de concordar sempre? 


As consequências disso: são diversas. Alguns vivem assim até a morte e para estes a aceitação da imposição alheia é a mola propulsora da sua existência. Podem ser uma vida bela tranquila até a sua finitude.Mas para outros as consequências podem ser danosas!


Dizer NÃO, não deve ser entendido como uma tendência a fazer oposição, a ser "do contra", pois esta também pode ser uma forma de aceitação das normas(falaremos sobre isso em outra ocasião). Dizer NÃO, aqui deve ser entendido como COLOCAR LIMITES no próprio espaço, para que o outro não o invada e assim, sua individualidade possa ser preservada.


Na Gestalt-terapia isso se chama CONFLUÊNCIA.  Estado de fusão; ausência de fronteira de contato. É aquele estado de simbiose "mental", onde um indivíduo age de acordo com a vontade de outro sem questionar, ou seja, nem sequer cogita a hipótese contrária.


E assim, muitos indivíduos que ainda não se perceberam como tal levam suas vidas obedecendo a vontade alheia, esquecendo-se de apropriar-se da sua existência.


Como dito anteriormente, não se trata de apropriar-se para fazer oposição. Não é isso. Apropriar-se de si mesmo, quer dizer: TER CONSCIÊNCIA DOS MOTIVOS QUE O LEVAM A FAZER ISSO OU AQUILO. Se um indivíduo concorda em manter-se confluente com o seu grupo, que isso esteja claro para ele.


Por isso defendo aqui o sublime direito de dizer NÃO, sempre que isto for possível e sempre que isso for uma decisão consciente. Não é porque todas as garotas da sua rua usam saias azuis que você fazê-lo. Mas se você o fizer que seja um ato consciente " uso azul porque gosto".


A falta de individualização pode ser observada quando se tem uma vontade imensa de mudar, mas não se sabe bem o que. Como exemplo podemos citar aquelas pessoas que trabalham numa determinada profissão, mas não a execução das tarefas não reflete aquilo que a pessoa pensa. Infelizmente não dá pra simplesmente dizer NÃO e sair pelo mundo fazendo somente o que gosta! Nesta sociedade moderna (e líquida, como diria Bauman) não há muito espaço para escolha. Mas há uma escolha que pode ser feita: a de NÃO GOSTAR. Parece pouco não é? Mas admitir que não gostar daquilo que se é "obrigado a amar" já é um passo muito grande que pode até promover mudanças qualitativas na existência de uma pessoa.

É justamente nesse ponto que as mudanças começam: em assumir PRA SI MESMO aquilo que é seu, e devolvendo pro outro aquilo que é dele. Devolver pro outro não é levantar discussão em torno do assunto, não é brigar, nem provocar desentendimento, mas é simplesmente saber a diferença entre o que é SEU e o que é do OUTRO..

De posse daquilo que é seu, já é possível traçar uma meta mais autêntica para a própria existência (dentro das inevitáveis limitações, claro).

Atualmente as pessoas são levadas a pensar de acordo com o que o poder midiático impõe (TV, Revistas, Jornais). Tais poderes criam categorias de estilo (brega, chique, retrô, etc..). E isso, naturalmente cria categorias de pessoas, que passam a seguir algumas tendências sem ao menos questionar.  

Claro que isso não é regra geral: algumas pessoas seguem as tendências da TV e sabem muito bem o que estão fazendo, além de ter autonomia suficiente para mudar de opinião quando achar adequado, conhecendo seus limites e colocando freio no cartão de crédito. Outras, no entanto, fazem sacrifícios incontáveis para conseguir usar o sapato da novela, para ter o cabelo da modelo, para ter o carro do ano, frequentar lugares "chiques".
  
Viver assim é certo ou errado?

O que está errado aqui é esta pergunta.

Não existe certo ou errado em Psicologia. O conceito de certo ou errado  se refere somente à própria pessoa. É o autor da ação que deve responder se considera certo ou errado seu modo de existir. (Note que estamos falando em PSICOLOGIA, não em outras áreas).

Voltando à pessoa que gasta demais: mesmo que ela esteja feliz gastando o triplo do que ganha para manter o cabelo sempre na moda, seria desejável que taol pessoa soubesse o MOTIVO que a leva a agir assim, para que possa ter uma existência mais autêntica, e se possível aprender a dizer NÃO!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Reflexão sobre a Passagem de Ano.


Ano-Novo ou réveillon é um evento que acontece quando uma cultura celebra o fim de um ano e o começo do próximo. Todas as culturas que têm calendários anuais celebram o "Ano-Novo". A celebração do evento é também chamadaréveillon, termo oriundo do verbo francês réveiller, que em português significa "despertar".
A comemoração ocidental tem origem num decreto do governador romano Júlio César, que fixou o 1 de janeiro como o Dia do Ano-Novo em 46 a.C. Os romanos dedicavam esse dia a Jano, o deus dos portões. O mês de Janeiro, deriva do nome de Jano, que tinha duas faces (bifronte) - uma voltada para frente (visualizando o futuro) e a outra para trás (visualizando o passado).
(Wikipédia)

Um hábito muito comum em nossa sociedade é tratar a passagem de ano como período de renovação, de renascimento, como se a vida estivesse dando uma nova chance, como se fosse um recomeço. Talvez por isso as pessoas  criam rituais visando atrair a paz, a prosperidade, sorte.


Mas será que isso basta?
Será que basta uma contagem regressiva, virar o calendário, abrir um champagne pra enterrar o passado?
Os piores tormentos tendem a acompanhar algumas pessoas, entra ano, sai ano. Heidegger chamaria isso de PERMANÊNCIA, quando os indivíduos permanecem atrelados a ocorrências passadas como se fossem presentes.
O ano passa, mas as velhas atitudes permanecem: os mesmos rancores, as mesmas mentalidades obsoletas, os mesmos fracassos, as mesmas velhas esperanças de que um dia as coisas vão melhorar (e nunca melhoram).



Não melhoram porque não basta tomar a sopa de lentilha pra atrair prosperidade, se o indivíduo não tem forças para trabalhar, ir à luta, batalhar pelo que deseja. Isto é permanência. Permanência na obtusidade.


Não melhoram porque alguns esperam que o outro se desculpe pelos erros que cometeram. Isso é permanência. Permanência no egocentrismo.


Não melhoram porque outros esperam que as coisas mudem, que o mundo fique cor-de-rosa sem que façam nada. Isso é permanência. Permanência na preguiça.


Não melhoram porque falta coragem pra abrir um bom livro e ler, entender e absorver. Isso é permanência. Permanência na ignorância.


Não melhoram porque é mais fácil fazer o que todo mundo faz, seguir tendências, padrões estabelecidos, viver a realidade alheia (aquela que passa na televisão, que é mostrada na revista). Isso é Permanência. Permanência na ALIENAÇÃO.


Se queremos promover mudanças, sejamos seus arautos. A mudança de calendário não trará nenhuma mudança na sua vida se você não se propuser a criá-las.




Desejo a Você que 2012 entre em sua vida trazendo consigo condições para uma reflexão profunda, e que a partir dela você possa entrar paz, amor, luz, alegria, grana, fama, sexo, etc.. etc.. etc...

Individualismo (p II)


Para o Psicólogo Nataniel Braden

Individualismo é ao mesmo tempo um conceito ético-psicológico e um conceito ético-político. Como um conceito ético-psicológico, individualismo sustenta que um ser humano deve pensar e julgar de forma independente, respeitando a nada mais do que a soberania da sua própria mente. Como um conceito ético-político, o individualismo defende a supremacia dos direitos individuais, o princípio de que um ser humano é um fim em dele ou dela self–and que o objetivo adequado da vida é a auto-realização.
Há muitas pessoas que talvez descrevem-se como a subscrever uma filosofia do individualismo em abstracto, tal como formulada até agora. Mas deixe-nos pensar através de, de forma concreta e especificamente, o que isso significa em termos políticos-sociais-porque, especialmente entre os psicólogos, parece haver um grande muitas pessoas que professam o individualismo enquanto em suas salas de consultoria, trabalhando com clientes de terapia, mas que se tornam adeptos do estatismo ou coletivismo .

Fonte:
http://www.nathanielbranden.com/


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Harry Potter e a Psicologia

Demorou, mas chegou o dia de falar sobre isso.


Passei um ano assistindo os 8 filmes da série, lendo e relendo os livros, buscando entender a razão pela qual essa saga mexe tanto comigo. Existem Várias razões, que não cabem aqui explicitá-las. Mas é necessário que façamos uma reflexão sobre alguns aspectos de ordem psicológica.


Em Harry Potter e a Pedra Filosofal (Rowling, 2000b), o herói é apresentado como um bruxinho que cresceu sem saber de sua condição especial. Seus pais foram vítimas de um poderoso bruxo das trevas, Lord Voldemort, que não conseguiu matar Harry, ainda bebê, deixando-lhe apenas uma cicatriz na testa. Nessa tentativa, o bruxo perdeu seus poderes e desapareceu, fazendo do menino sobrevivente um prodígio, um salvador do mundo dos bruxos, que estavam aterrorizados sob esse poder maligno.


Aqui temos a separação entre Harry e seus pais. Podemos tratar deste assunto a partir da Teoria do Apego de Bowlby, quando este menciona os tipos de apego (seguro, evitativo e ambivalente). Naturalmente esta perda prematura de seus pais, fez com que Harry desenvolvesse um tipo de apego evitativo, uma vez que no decorrer de sua vida tem uma certa facilidade pra se relacionar, mas a mesma facilidade para arranjar desafetos.
Podemos notar que em muitas passagens da história, ele tenta se desvencilhar dos amigos para solucionar alguns problemas, como é o caso da busca pelas Horcruzes, em "As reliquias da Morte". Nesta passagem ele tenta sair da "Toca" assim que todos dormem. Tal comportamento seria chamado de evitativo, por Bowlby.


o mundo de Harry Potter é dividido em duas comunidades, os bruxos e os trouxas, sendo esses últimos os que não trazem a magia no sangue. Quando trata da comunidade trouxa, a história nos mostra a nossa realidade cotidiana. como exemplo, em vários momentos, na história, quando ocorre algum evento que reúne grande número de bruxos, para que estes não sejam descobertos pelos trouxas, são lançados feitiços que fazem com que estes, ao se aproximarem dos lugares mágicos, se lembrem de compromissos urgentes e se afastem correndo.


Acredito que nossa realidade "trouxa" esteja tão angustiante que vivenciar um pouco de magia não faz mal nenhum. Não seria bom se tivéssemos uma varinha que nos obedecesse, uma vassoura que nos levasse para qualquer lugar, sem a necessidade de pagar IPVA, de passar pela vistoria; se tivéssemos um viratempo que nos permitisse atender os inúmeros compromissos na mesma hora em diversos locais?


É justamente nesse momento, para Harry, que aparece a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts bem como os novos amigos Rony e Hermione. Nesse momento, também, começam as aventuras iniciáticas do nosso pequeno herói, em que ele luta com monstros e desvenda mistérios.


Amigos! Interessante notar que eu nunca vi nenhum teórico da psicologia escrever sobre a amizade de forma mais estrita. A Social fala de comportamento grupal, então isso é o que temos pra hoje. (Se alguém se lembrar de alguma outra teoria, me avise).
Mas de acordo com a Psicologia Social, o homem é um ser gregário, que precisa conviver com os outros para se proteger. Tal comportamento é uma medida evolutiva que visa preservar nossa espécie, pois os nossos ancestrais que viviam em bandos tinham mais força para lutar contra os predadores. Tal comportamento evoluiu geneticamente e ainda hoje, nós precisamos de amigos pra nos ajudar a vencer os predadores que mudaram de cara....
Como na obra de Rowlings, os amigos de Harry estão sempre disponíveis e não medem esforços para auxilia-lo,


Continua...

As neuroses e os mecanismos de defesa


Os conceitos Freudianos vem sofrendo distorções impares ao longo do tempo. Algumas são bem intencionadas, visando alcançar uma explicação que seja abrangente. Alguns erros de interpretação são normais, especialmente em estudantes de psicologia, que ao longo do tempo vão sendo esclarecidos. Para evitar que isso ocorra, é importante beber na fonte, ler e buscar entender o que o teórico estava buscando dizer.
Freud em 1894  escreveu o texto “As neuropsicoses de defesa”, onde tem início o postulado da teoria da defesa. Mas para bom entendimento deste postulado é necessário uma breve conceituação.


Sendo assim, pretendo iniciar este texto tratado das neuroses. Mas o que será uma neurose? Com base em Laplanche e Pontalis, neurose é:
afecção psicogênica em que os sintomas são a expressão simbólica de um conflito psiquico que tem suas raizes nas histórias infantis dos indivíduos e constitui compromisso entre o desejo e a defesa. (Laplanche e Pontalis, p. 377)
Defesas podem ser entendidas como:
 Conjunto de operações cuja finalidade é reduzir, suprimir modificação suscetível de por em perigo a integridade e constância do indivíduo biopsicológico. Na medida em que o ego se constitui como instância que encarna esta constância e que procura mante-la, ele pode ser descrito como sujeito e objeto destas operações. (Laplanche e Pontalis, p. 151)
 A neurose obsessiva, surge como uma “histeria de defesa” decorrente da impossibilidade de resolver um afeto conflitivo. 
Quando alguém com predisposição à neurose carece da aptidão para a conversão, mas, ainda assim, parece rechaçar uma representação incompatível, dispõe-se a separá-la de seu afeto, esse afeto fica obrigado a permanecerna esfera psíquica. A representação, agora enfraquecida, persiste ainda na consciência, separada de qualquer associação. Mas seu afeto, tornado livre, liga-se a outras representações que não são incompatíveis em si mesmas, e graças a essa “falsa ligação”, tais representações se transformam em representações obsessivas. Essa é, em poucas palavras, a teoria psicológica das obsessões e fobias, mencionada no início deste artigo.Indicarei agora quais dos vários elementos explicitados nessa teoria podem ser diretamente demonstrados e quais foram supridos por mim. O que se pode demonstrar diretamente, além do produto final do processo — a obsessão —, é, em primeiro lugar, a fonte do afeto agora colocado numa falsa ligação. Em todos os casos que analisei, era a vida sexual do sujeito que havia despertado um afeto aflitivo, precisamente da mesma natureza do ligado à sua obsessão. Teoricamente, não é impossível que esse afeto possa às vezes emergir em outras áreas; resta-me apenas relatar que, até o momento, não deparei com nenhuma outra origem. Ademais, é fácil verificar que é precisamente a vida sexual que traz em si as mais numerosas oportunidades para o surgimento de representações incompatíveis. (Freud, 1894)





Tais neuroses podem estar relacionadas às ocorrências da segunda fase da infância, pois segundo Pereira: 

Trata-se de um momento intermediário entre o auto-erotismo e a primazia do investimento das zonas genitais num objeto externo ao eu. Nele, os componentes instintuais já se reuniram na escolha de um objeto extrínseco, sem que se tenha, ainda, a primazia das zonas genitais.

Para este autor, o caráter obsessivo de tais idéias decorreria exatamente da falsa conexão que se estabelece entre afeto deslocado e nova representação. As relações entre a origem do sintoma e a forma como ele se apresenta, em função da ligação do afeto intolerável e não diminuído a uma representação possível ao eu, só podem ser explicadas por processos que operam fora da consciência.




Bibliografia
Freud, S. (1894). As neuropsicoses de defesa. In Edição Standard brasileira das obras completas de Sigmud Freud. (Jayme Salomão, trad.). Volume X. Imago, Rio de Janeiro.

Laplanche, J.,Pontalis,J-B. Vocabulário da Psicanálise. 9a. ed. Martins Fontes, São Paulo, 1986)



Luis Adriano Salles Pereira. http://www6.ufrgs.br/psicopatologia/neurose_obsessiva/luis_adriano.htm. [online]. acesso em 28 de dezembro de 2011

O que é uma Pessoa?



Em Carl Rogers,  pessoa é aquele indivíduo que tras em si uma tendência atualizante, que tem em suas próprias mãos a chave para vencer da melhor forma possível os obstáculos da existência. Para ele natureza humana é construtiva e auto-reguladora (Moreira, p. 44).


Rogers assinala que para que uma pessoa seja plena, é necessário que   seja também autêntica. E esta autenticidade deve ser entendida como a apropriação da própria subjetividade. Segundo Moreira, a importação de modelos elaborados em outros contextos sociais têm efeito devastador sobre a formação da individualização, pois
Quando um ser humano imita outro já não é ele mesmo. Assim, a imitação servil de outras culturas gera uma sociedade alienada ou uma sociedade objeto (Moreira, p. 59)
Isso significa que quando uma pessoa utiliza algo que viu em um anúncio de Tv, ou passa a adquirir bens de consumos desnecessarios e de forma irrefletida, está deixando de ser ela mesma.


Mas porque? A troco de que as pessoas deixam de ser si-mesmas para serem outros seres?


A resposta não é fácil, não é obvia e eu não a tenho. Ninguém pode responder de forma exata, somente de forma aproximada. E a aproximação que eu tentarei fazer pode não ser a correta, mas é a forma que eu enxergo. Assim vou fazer uma releitura de alguns conceitos de Moreira (2008), a fim de chegar onde pretendo.


No Capítulo 7, a autora trata da Origem da Noção de pessoa. Parece engraçado tratarmo do assunto assim, mas o fato é que nem sempre as pessoas foram vistas da forma como são vistas atualmente. Este conceito já passou por uma série de modificações. Veremos alguns deles:


A palavra Pessoa teve sua origem no latim e significava Personare (soar através de), portanto era atribuido à máscara. Para os Gregos este objeto chamava-se Prósora, aquilo que disfarça (Moreira, p. 151). 
No teatro grego o homem que é representado é aquele cujo destino o transcende, ou seja aquuele que veio ao mundo para cumprir a vontade dos deuses, sem questionar. (Moreira, 155)


Na Roma antiga a noção de pessoa sofre outra alteração: aqui a pessoa é o cidadão romano, a pessoa jurídica. Desnecessário dizer que os escravos não eram pessoas....Mas ter status de pessoa não queria dizer muita coisa, pois "a pessoa humana não tinha muito valor perante a autoridade do estado" (Moreira, p. 157).


A concepção cristã de pessoa corresponde à concepção medieval. Não estou me referindo à concepção pós-moderna. Nesta concepção medieval, a pessoa só era pessoa em relação a Deus. (Moreira, p. 160)


A partir de Descartes a noção de pessoa enquanto substancialidade da lugar ao conceito de auto-relação. Para Locke, pessoa é um ser pensante; Kant destacava a importância da memória sobre si mesmo; Hegel compreendia a pessoa como um ser autoconsciente que se referia a si mesmo como sua individualidade. (Moreira, p. 161).


Este processo de Individualização pelo qual o conceito de pessoa passou, não é o mesmo a que Jung se refere no que concerne à individuação que pode ser entendido como: "o processo que gera um in-divíduum psicológico, ou seja, uma unidade indivisível, um todo” (Jung, C. Os arquétipos e o inconsciente coletivo, p. 269)

“Em geral, é o processo de constituição e particularização da essência individual... e é portanto um processo de diferenciação cujo objetivo é o desenvolvimento da personalidade individual... e é uma necessidade natural” (Jung, C. Tipos Psicológicos, pág. 525, 4ª Ed. Zahar Editores)








Vida Líquida - Uma leitura da Obra de Zygmunt Bauman

Pra quem ainda não teve a oportunidade de conhecer a obra deste sociólogo contemporâneo, fica aqui a dica .
Para saber mais sobre Zygmunt Bauman e sua obra Clique aqui

A Obra de Bauman é riquíssima e muito adequada à reflexão, uma vez que trata de temas contemporâneos. Alguns de seus livros tem um traço em comum: trata de liquidez ( Amor Líquido, Vida Líquida e Modernidade Líquida).



Essa Liquidez refere-se fluidez, à impermanência do nosso existir.
Para o Sociólogo, a vida muda rapidamente e não dá tempo de assimilar nada. Isso equivale a dizer que os valores que deveriam permanecer também se liquefazem.
No Livro " Amor líquido" , o Sociólogo trata da impermanência afetiva, da forma como os romances hoje nascem e são descartados no dia seguinte, quando então novos amores aparecem e novamente são descartados. Urge que os anseios imediatos sejam atendidos, não há preocupação com afetividade, sem com durabilidade.


E vemos isso acontecer, sobretudo nos romances cibernéticos: a internet hoje é uma vitrine de gente. Os indivíduos escolhem parceiros que atendam a determinados perfis, descartando outras opções (liquidez). Naturalmente, muitos romances que começam dessa forma estão fadados ao fracasso, porque não há profundidade afetiva; embora a maioria das pessoas espere encontrar um "alguém especial", preferem "escolher um pouco mais", afinal a oferta é tão grande. 
Poucos se interessam em conhecer melhor aquela pessoa que está do outro lado do monitor; saber seus anseios, sobre seu passado, o que espera do futuro. Não. O retorno  tem de ser imediato, pois as coisas mudam " a fila anda"... Fluidez!


Cugini salienta que



Bauman utiliza uma definição de Catherine Jarvie, jornalista inglesa, para expressar melhor o sentido das relações afetivas na pós-modernidade:
relações de bolso. Estas são bem sucedidas quando são doces e de curta duração. Uma “relação de bolso” é a encarnação da instantaneidade e da disponibilidade. Bauman aponta duas condições para os “relacionamentos de bolso” funcionarem.  “Primeira condição: deve-se entrar no relacionamento plenamente consciente e totalmente só-brio. Lembre-se: nada de amor à primeira vista aqui” (Bauman, 2003 p.37). A única coisa que conta é a convivência e, para isso, é necessária uma cabeça fria. É o fim de qualquer tipo de paixão e de envolvimento emotivo que possam colocar em risco o futuro das pessoas envolvidas. “Não se deixe dominar nem arrebatar, e acima de tudo não deixe que lhe arranquem das mãos a calculadora” (BAUMAN, 2003, p.37). Num mundo inseguro, é extremamente arriscado investir a própria existência em relacionamentos afetivos ao longo prazo, e
isso porque os afetos mudam.



Mas não é só no mundo cibernético que as coisas ocorrem (eu enfatizo as relações virtuais pois sou estudiosa deste assunto).  Este mundo é apenas uma cópia da sociedade líquida em que estamos inseridos. E nesta sociedade, as relações também são descartáveis, e não apenas as afetivas, mas as relações profissionais, relações de amizade, relações familiares, etc... Os valores da sociedade pós-moderna são Líquidos.


As amizades são valorizadas enquanto oferecem algo. Poucas sobrevivem às verdadeiras tragédias, aos momentos dolorosos, de perdas, de luto, de agonia! A maioria é baseada em interesse imediato, como se fosse uma moeda de troca: " quer ser meu amigo? mas o que você tem pra me oferecer?" " esta oferta é equivalente à minha?" "Não é? Tchau"


Isso tem um custo: gera um mal-estar na sociedade, mal-estar que é percebido através de pequenas atitudes que verificamos cotidianamente. Uma delas é a forma como as pessoas se agridem em época de festas ou férias, tentando dar uma vazão àquele sentimento de mal-estar reprimido. Claro, cada-caso-é-um-caso. Mas estamos tratando aqui de sociedade... portanto, continuemos nesta linha.


Cugini aponta que



Se os relacionamentos humanos são equiparados ao nível da mercadoria e tudo é visto sob a óptica do consumo, então tudo deve ser mudado continuamente, pois a novidade vai progressivamente se desvanecendo e se apagando. Isso se torna ainda mais visível e, de uma certa forma, compreensível no mundo das novas tecnologias. 
Confirmando a teoria de Bauman:
Uma chamada não foi respondida? Uma mensagem não foi retomada? Também não há motivo para preocupação. Existem muitos outros números de telefone na lista [...] Há sempre mais conexões para serem usadas e assim não tem grande importância quantas delas se tenham mostrado frágeis e passíveis de ruptura (Bauman, 2003 p.79)

Quando o assunto é consumismo, destaca-se que as verdadeiras mercadorias são as pessoas. Os produtos são fabricados para atrair consumidores, que ávidos de desejo farão qualquer coisa pra obter seu bem de consumo. Isso ocorre em partes porque há uma publicidade bem elaborada, que agrega valores pessoais aos bens de consumo (Qualquer semelhança com a teoria Pavloviana NÃO é mera coincidência). As pessoas são levadas a crer que: pra demonstrar afeto pelos entes queridos, os presentes devem ser caros; Serão aceitas somente se tiverem O  corpo perfeito, se usarem a vestimenta da moda; se frequentarem determinados ambientes.
Isso leva as pessoas a acreditarem que se não consumirem isso ou aquilo, não PODEM SER CONSIDERADAS PESSOAS!! Refiro-me aqui à noção de pessoa encontrada na obra de Virginia Moreira que trata da noção capitalista de pessoa desta forma como aquela que é livre para competir: "Em uma sociedade capitalista o homem não trabalha para viver, mas vive para trabalhar" (MOREIRA, p. 171).


Sobre isso, Cugini conclu que

É claro que isso produz restos, lixo, algo que deve ser descartado, pois, onde há projetos, há refugos. Na visão sociológica de Bauman, o processo de transformação pode ser aplicado ao mundo globalizado que, na sua empolgação compulsiva para produzir bem de consumo está, ao mesmo tempo, produzindo um número impressionante de lixo. O mundo ocidental pode ser lido a partir destas categorias não muito simpáticas, mas extremamente reveladoras. O lixo ao qual Bauman se refere não é apenas no sentido material, mas, sobretudo, humano. São milhões de pessoas que o mundo Ocidental evoluído trata como lixo, como algo indesejável, que deve ser descartado. A modernidade está elaborando um mundo para poucos[...] Numa sociedade de consumidores quem não tem dinheiro para adquirir a mercadoria, está fora, atrapalha. Existe, então, toda uma população “excedente”, “supérflua”, que nunca terá chance de fazer
parte do mundo pensado, projetado da modernidade.


Eu entendo o quanto isso deve doer, sobretudo naquelas pessoas que vivem para consumir. Que acreditam que seus valores estejam realmente atrelados aos bens de consumo: ao carro do ano, ao apartamento na praia, à joia, etc. Mas isso não deve ser tão valorizado assim, porque o verdadeiro valor de um homem está no que ele É, não no que ele TEM. Se você convive com pessoas que te valorizam pelo que você TEM e você não concorda com isso, mude de amigos imediatamente. Não gaste seu suor pra agradar pessoas que irão te descartar assim que a moda mudar!


Para refletir eu indico:


3a. do Plural - Engenheiros do Hawaii.




Corrida pra vender cigarro
Cigarro pra vender remédio
Remédio pra curar a tosse
Tossir, cuspir, jogar pra fora
Corrida pra vender os carros
Pneu, cerveja e gasolina
Cabeça pra usar boné
E professar a fé de quem patrocina
Querem te matar a sede, eles querer te sedar
Eles querem te vender, eles querem te comprar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Corrida contra o relógio
Silicone contra a gravidade
Dedo no gatilho, velocidade
Quem mente antes diz a verdade
Satisfação garantida
Obsolescência programada
Eles ganham a corrida antes mesmo da largada
Eles querem te vender, eles querem te comprar
Querem te matar de rir, querem te fazer chorar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Vender, comprar, vendar os olhos
Jogar a rede... contra a parede
Querem te deixar com sede
Não querem te deixar pensar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?









Referências








Bauman, Zygmunt. Amor líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 200


CUGINI, Paolo. Identidade, Afetividade e a Mudanças Relacionais na Modernidade Liquida na Teoria de Zygmunt Bauman. [Online]. Disponível em: 
http://www.faculdadesocial.edu.br/dialogospossiveis/artigos/12/artigo_10.pdf. acesso em 28/dezembro/2011

Moreira, Virginia. De Carl Rogers a Merleau Ponty: a pessoa mundana em psicoterapia. AnnaBlue, São Paulo, 2008.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Solidão

Dizem que uma mentira repetida diversas vezes torna-se uma verdade, assim sendo descobri uma verdade-mentira a partir da leitura de um livro chamado SOLIDÃO, do falecido Psiquiatra Anhony Storr.
Pra dizer o mínimo, Storr é BRILHANTE! Conseguiu articular com muita facilidade diversos conceitos da psicanálise, do Behaviorismo, da neuropsicologia e da Psicologia do Desenvolvimento, produzindo um trabalho fácil e gostoso de ler.

Voltando à verdade-mentira:

Sempre ouvir dizer que "uma pessoa solítária demais é problemática", " só pode ser esquizofrênica, coitadinha, não tem amigos", ou então " essa pessoa deve ser uma praga, ninguém quer ser amigo dela"... ou pior ainda.. " vai passar o natal sozinho???? É LOUCO".

Na escola quase todas as garotas vão ao banheiro com a melhor amiga, ou na ausência dela, com a colega mais próxima, mas dificilmente sozinha.

As novelas mostram que as pessoas desejam ficar a sós quando estão passando por alguma situação problema, jamais pra refletir..


Nos restaurantes ou nas praças de alimentação dificilmente vê-se alguém fazendo suas refeições sozinho.


Parece que é crime estar sozinho!! E isso porque estamos em plena era do individualismo..


Ao perceber o comportamento gregário das pessoas, sempre me perguntei a razão pela qual eu gosto de estar sozinha. Seria eu uma pessoa "diferente"? Portadora de alguma "patologia não categorizada-incurável-intratável-impenetrável"?


Naturalmente eu tenho boas amizades. E gosto muito da companhia delas. Mas em alguns momentos eu preciso encontrar comigo mesma, para ser um pouco mais eu. Acredito que é na solidão que podemos dar vazão aquilo que está em nosso inconsciente, sem a possibilidade das detestáveis interrupções. É nesse encontro precioso que conseguimos ouvir aquela voz que tá gritando, mas que nunca é ouvida.


"Na escuridão, o invisível salta aos olhos" HG


Sempre gostei do silêncio dos parques, das igrejas e das bibliotecas. Sempre gostei de dirigir em estradas desertas. Tais lugares configuram-se para mim como verdadeiros pedaços de paraíso na terra.


No silencio uma catedralUm templo em mim
Onde eu possa ser imortal
mais vai existir
eu sei, vai ter que existir
Vai resistir nosso lugar
Solidão
Quem pode evitar
Te encontro enfim
Meu coração é secular
Sonha e desagua dentro de mim
Amanhã, devagar
Me diz como voltar


Storr [p. 47] fala que o apego é fundamental à sobrevivência da criança mas que somente quando experimenta a sensação  de estar sozinha é capaz de descobrir o que realmente deseja, pois:


a capacidade de ficar sozinho passa a estar ligada à descoberta e à realização de si, à conscientização de nossos mais profundos sentimentos, impulsos e necessidades [p. 55]
Para o autor, tal conscientização na presenta dos outros é impossível, pois eles nos roubam de nós mesmos, e o que é muito pior, precisamos usar máscaras sociais quase o tempo todo, na busca de aceitação social, por isso é muito raro que sejamos autênticos no nosso cotidiano.


Storr justifica:


para que a sociedade funcione sem sobressaltos, certamente há ocasiões que temos que fingir, ser simpáticos quando estamos cansados, sorrir quando queremos grunhir. essa dissimulação é fatigante. [p. 191] 

Naturalmente não estou defendo a "autenticidade-em-praça-pública". Não dá pra fazer o que se quer quando quiser. Existem questões de decoro, éticas e morais envolvidas [ normas sociais]. Por isso a imperiosa necessidade de solidão.


Pra encerrar, fica registrada aqui a música que me acompanha nos meus "mergulhos"..



feche a porta, esqueça o barulho
feche os olhos, tome ar: é hora do mergulho
eu sou moço, seu moço, e o poço não é tão fundo
super-homem não supera a superfície
nós mortais viemos do fundo
eu sou velho, meu velho, tão velho quanto o mundo
eu quero paz:
uma trégua do lilás-neon-Las Vegas
profundidade: 20.000 léguas
"se queres paz, te prepara para a guerra"
"se não queres nada, descansa em paz"
"luz" - pediu o poeta
(últimas palavras, lucidez completa)
depois: silêncio
esqueça a luz... respire o fundo
eu sou um déspota esclarecido
nessa escura e profunda mediocracia


Referências:

Storr, A. Solidão: a conexão com o eu. Ed. Bevirá, São Paulo, 2011.




Comportamento controlado por regras




• Regras são estímulos discriminativos (SD) verbais.


• Difere do comportamento operante (modelado por contingências) por ser modelado por instruções verbais, enquanto o operante o será por contingências verbais e não verbais e é modelado por conseqüências relativamente imediatas.


• Este comportamento modelado por regras depende de um falante, enquanto o modelado por contigências não requer necessariamente outra pessoa, bastando a interação com o contexto social.


São considerados regras:


• Instruções;


• Conselhos;


• Ordens;


• O comportamento modelado por regras indica sempre uma relação de longo prazo,mas as regras são seguidas em virtude de seus reforços ou punições imediatas. Mas toda regra está relacionada a uma contingência de reforço último, desembocando num comportamento respondente. (Baum, p. 174)


Paradigma






Relação


• A relação próxima geralmente é óbvia porque o reforço/punição é imediato. Por exemplo: respeitamos os limites de velocidade na estrada para não ganhar multa (reforço negativo). O reforço último neste exemplo está relacionado à sobrevivência.


• No entanto, a regra e seu reforço próximo são temporários, pois uma vez que o indivíduo habito de a segui-las, seu comportamento passa a ser modelado pelas contingências distantes fazendo com que o comportamento de seguir regras torne-se uma categoria funcional (Baum, 177). Exemplo:


• Um estudante que faz os trabalhos acadêmicos seguindo as normas da ABTN, no começo o faz apenas para obter boas notas (reforço positivo). A partir de um determinado período, essa relação de seguir regras torna-se habitual, mesmo quando as contingências não estejam presentes. (reforçamento último).


Fatores negativos


• O fator negativo do comportamento controlado por regras é que com o tempo as pessoas habituam-se a segui-las sem questioná-las, o que colabora para o pensamento cristalizado e a formação e manutenção de ideologia, como vimos durante a segunda guerra mundial, no caso dos nazistas que obedeciam cegamente às regras impostas por seus líderes. Infelizmente tais comportamentos controlados por regras viraram preconceitos que existem até hoje.


Quando as regras não estão presentes.


• Costuma-se dizer que as regras estão “internalizadas” quando são seguidas e não estão presentes no contexto atual. Dessa forma, estamos colocando a regra no âmbito mentalista, o que não favorece a elucidação da questão.


• Mas se não estão “dentro do indivíduo” estão presentes no ambiente, de forma figurativa, sonora ou simbólica, como estímulos discriminativos - (Baum, p. 177), pois a regra pode ter surgido muito antes da apresentação do contexto. Temos assim uma lacuna temporal.


Referências.
Baum, W. M. (1999). Compreender o behaviorismo: ciência, comportamento e cultura. Porto Alegre: Artmed. (Trabalho original publicado em 1994).




quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Diferentes tipos de apego

É sempre doloroso presenciar o fracasso de um relacionamento, especialmente daqueles que " tinham tudo pra dar certo".

O senso comum atribui esses "fracassos afetivos" à incompatibilidade de gênio ( o que é "gênio"?); ou ao destino (não era pra ser..), ou à imaturidade (mas o que é maturidade? Quais os parâmetros pra medir o grau de maturidade de alguém?).

Pode até ser que em alguns casos haja essa proximidade com o senso comum, mas eu pretendo enveredar por outro caminho: a dos diferentes tipos de apego a partir da teoria de Bowlby.

Para este autor, a base de formação dos laços afetivos se da na infância, no contato com o cuidador, pois segundo ele: "Numa parceria feliz existe um constante dar e receber" 

Bowlby afirma que a ontogenia dos vínculos afetivos se desenvolve porque a criatura nasce com uma tendência a se aproximar de certas classes de estímulo e a evitar outras (2006, p.99).
Isso nos informa que os indivíduos buscam agrupar-se sempre com seus pares, ou com quem tenham o mínimo de afinidade, o que no senso comum equivale ao famoso ditado "os semelhantes se atraem" .
Abreu (2005) nos informa que a vinculação entre casais apresenta semelhanças com a vinculação infantil, salientando que:

a) da mesma forma que a criança, o adulto tende procurar seu parceiro nos momentos de grande ansiedade;
b) a imagem de seu conjuge é associada à conforto e segurança (base segura);
c) a separação gera ansiedade, tanto na criança que se separa dos cuidadores, quanto no adulto que se separa do seu par. (p.149)

A forma como essa criança foi cuidada na infância, pode refletir no tipo de apego que ela demonstrará na idade adulta. Abreu (2005), categoriza os grupos de diferentes tipos de apego em:

a) Seguro -  este indivíduo é mais aberto à intimidade e não tem a preocupação em ser abandonado.

b) Evitativo - Aquele que não se sente confortável em ter intimidade, pois acha difícil confiar em alguém. Sente-se invadido quando alguém tenta manter um vínculo de proximidade, além daquilo que ele está disposto a oferecer.

c) Ambivalente - Extremo oposto do evitativo, acredita que não recebe afeto na mesma proporção que doa. (p. 150)

Naturalmente esta categorização é aproximada, bem como seus motivos, pois é comum ver-se crianças que tiveram uma infância dramática tornarem-se adultos confiantes e vice-versa. Repito: o que temos aqui exposto são aproximações conceituais.


Entretanto, apesar destas diferenças, o relacionamento afetivo entre pessoas diferentes pode sim dar certo, mas para isso é necessário que os pares se apropriem das suas diferenças, sem negá-las, assumindo defeitos e qualidades e mantendo sempre um diálogo aberto  com o parceiro.

Até porque, romance perfeito só mesmo nos contos de fada: no mundo real as pessoas precisam, sobretudo de entendimento e aceitação.

Para refletir sobre o tema, aqui vai uma música que retrata bem a forma que esse vínculo infantil se transforma num vínculo adulto:


http://www.youtube.com/watch?v=xYQDMX-Z9K4






Referências

Abreu, C. N. de. Tipos de apego: Fundamentos, Pesquisa e Implicações Clínicas.São Paulo. Casa do Psicólogo, 2005


Bowlby, J. A. Formação e rompimento dos vínculos afetivos. Martins Fontes, 2006, São Paulo.



Rodrigues, S. Amor com dependência. Disponível em ~-~http://www.botucatu.com.br/portal/anexo/amor.pdf. acesso em 14-12-2011




sábado, 10 de dezembro de 2011

Como eu sei que poucos irão entender o conteúdo deste post, peço de antemão desculpas àqueles que porventura não co e fica aqui registrada uma promessa de esclarecimento, caso alguém se interessar em tentar compreender a "viajada" que vou fazer agora.


Trata-se de uma viagem Gessingeriana pela minha Infinita Highway, em outras palavras, a compreensão dos textos gessingerianos à luz do meu humilde entendimento. Digo isto porque, a devida interpretação somente o compositor poderia fazê-lo.


Sempre gostei das letras do Gessinger, porque em sua maioria traduzem minha condição ôntica de ser-no-mundo, fazendo com que que cada letrinha de algumas letras encontrem eco na minha subjetividade (mesmo que com sentido diverso do que que ele propôs).


Algumas letras são claras críticas ao sistema capitalista , à sociedade de consumo (3ª do Plural)




Eles querem te vender, eles querem te comprar 
Querem te matar de rir, querem te fazer chorar 

Quem são eles? ]

Quem eles pensam que são? 4x 




 e à indústria midiática (O papa é Pop).


Todo mundo tá relendo o que nunca foi lido
 Todo mundo tá comprando os mais vendidos
 Qualquer nota, qualquer notícia
 Páginas em branco, fotos colorida
 Qualquer nova, qualquer notícia
 Qualquer coisa que se
 mova é um alvo
 E ninguém tá salvo

Não precisa muito para juntar 2+2 e saber que o resultado é 4.
Quando o compositor aponta que " eles querem te vender, eles  querem te comprar" está (no meu entendimento) fazendo alusões ao barões da moda, à classe dominante que  determina o que será usado, comprado, descartado, etc.. são os formadores de tendências, de opiniões que ninguém questiona.
mais adiante, na mesma letra ele fala sobre "obsolescência programada", referindo-se, creio eu aos equipamentos tecnológicos que ficam obsoletos assim que saem da loja.


Sobre a Indústria midiática em "o Papa é Pop", o compositor começa apontando " o que nunca foi lido". Eu interpreto essa passagem como aquilo que é meramente folheado, que não é absorvido pois não tem conteúdo suficiente para que seja realmente lido e entendido; é aquilo que não acrescenta nada. as "páginas em branco, fotos coloridas" é uma confirmação do que eu disse antes: páginas em branco são aquelas onde não há nada escrito, apenas imagens coloridas que tem a missão de transmitir uma mensagem com o auxílio dos recursos fotográficos, porém vazias de conteúdo.


Hora do Mergulho


feche a porta, esqueça o barulho 
feche os olhos, tome ar: é hora do mergulho

eu sou moço, seu moço, e o poço não é tão fundo 
super-homem não supera a superfície 
nós mortais viemos do fundo 
eu sou velho, meu velho, tão velho quanto o mundo

eu quero paz:
uma trégua do lilás-neon-Las Vegas
profundidade: 20.000 léguas
"se queres paz, te prepara para a guerra" 
"se não queres nada, descansa em paz" 
"luz" - pediu o poeta 
(últimas palavras, lucidez completa)
depois: silêncio

esqueça a luz... respire o fundo
eu sou um déspota esclarecido
nessa escura e profunda mediocracia 



Essa letra em especial me remete à condição de quem reflete, de quem mergulha dentro de si mesmo, em silêncio, em busca de respostas para sua condição ôntica de ser no mundo, afinal " o poço não é tão fundo", que eu entendo como "  não é tão difícil encontrar respostas dentro de si mesmo. Eu tb eu quero paz: uma trégua do lilás-neon-Las Vegas, uma trégua desse mundo agitado da vida urbana que não nos deixa espaço para sermos nós mesmos. Vivemos a todo instante com máscaras pregadas no rosto, máscaras que a sociedade nos impõe, exigem que a usemos.
o déspota esclarecido era uma figura comum no renascimento, sobretudo no leste europeu. Trata-se daqueles governantes que 








Sem abandonar o poder absoluto, procura­ram governar conforme a razão e os interesses do povo. Esta aliança de princípios filosóficos e poder monárquico deu origem ao regime de governo típico do século XVIII, o despotismo esclarecido. Seus representantes mais destacados foram Frederico II da Prússia; Catarina II da Rússia; José II da Áustria; Pombal, ministro português; e Aranda, ministro da Espanha. (fonte: 









na ponta dos cascos e fora do páreo





"
http://www.culturabrasil.org/iluminismo.htm)

mediocracia:
s.f. Predomínio social da classe média.
Sistema político ou social em que a administração e a autoridade são exercidos pela classe média.
Poder exercido pelos medíocres.

Dom quixote
Muito prazer, meu nome é otário
vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d'água, borboletas no aquário

Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro-sangue puxando carroça

Um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra
vaidades que a terra um dia há de comer

Ás de espadas fora do baralho
grandes negócios, pequeno empresário
muito prazer me chamam de otário

Por amor às causas perdidas

Tudo bem...até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
tudo bem...seja o que for
seja por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas

Tudo bem...até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
muito prazer...ao seu dispor
se for por amor às causas perdidas

Por amor às causas perdidas 
Essa música é meu hino!
" vindo de outros tempos, mas sempre no horário" é a característica de quem respeita a pontualildade, às regras de uma dada geração.
 Isso me faz refletir minha condição ôntica de voltar pra faculdade aos 40 anos de idade!

" na ponta dos cascos e fora do páreo"
nada poderia ser mais verdadeiro: minha competência acadêmica não há de reverter em oportunidade de emprego.








"Tudo bem...até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento"

a ampliação das minhas angústias, meus receios está expressa nesse trecho. Às vezes meus pensamentos me levam ao vazio existencial, à mais profunda solidão, outras vezes me levam ao psiquiatra (rsrsrs)


"tudo bem...seja o que for
seja por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas"

Aqui é onde cabem os meus sonhos: um deles é ver uma sociedade mais justa, onde haja uma distribuição melhor de renda.  Observe: eu falei SONHO!!! uma causa perdida....

Somos quem podemos ser.

m dia me disseram 
que as nuvens não eram de algodão 
Um dia me disseram 
que os ventos as vezes erram a direção 
E tudo ficou tão claro 
como um intervalo na escuridão 
Uma estrela de brilho raro 
Um disparo para o coração 


A vida imita o vídeo 
garotos inventam um novo inglês 
vivendo num país sedento 
num momento de embriaguez 


Somos que podemos ser 
Sonhos que podemos ter 


Um dia me disseram 
Quem eram os donos da situação 
Sem querer eles me deram 
As chaves que abrem essa prisão 


E tudo ficou tão claro 
o que era raro ficou comum 
Como um dia depois do outro 
Como um dia um dia comum 


A vida imita o vídeo 
garotos inventam um novo inglês 
vivendo num país sedento 
num momento de embriaguez 


Somos que podemos ser 
Sonhos que podemos ter 


Um dia me disseram 
que as nuvens não eram de algodão 
um dia me disseram 
que os ventos as vezes erram a direção 


Quem ocupa o trono tem culpa 
Quem oculta o crime também 
Quem duvida da vida tem culpa 
Quem evita a dúvida também tem 


Somos que podemos ser 
Sonhos que podemos ter 

Se alguém aqui já passou pela experiência (dolorosa) de sair da "caverna de Platão" vai entender o que eu senti quando eu precisei rever alguns conceitos bastante arraigados. Essa letra serviu-me de hino da mudança. Não sei se eu mudei meus pensamentos numa direção melhor ou pior, mas o fato é que eu mudei de forma lenta, gradual e definitiva.. e continuo mudando a cada minuto.
Quando eu percebi que " as nuvens não eram de algodão" tive que reformular muita cosa, inclusive meu conceito de identidade. Pra não ser mal interpretada, neste ponto estou falando sobre religião, mas essa conversa fica pra outra ocasião, até porque Gessinger não teve nada a ver com isso...mas o fato é que na minha mente:







E tudo ficou tão claro 
o que era raro ficou comum 
Como um dia depois do outro 
Como um dia um dia comum 

(continua no próximo post)